Instituto Roy Carlson
Sobre
Quem foi o Dr. Roy W. Carlson, os engenheiros de sua escola, o conselho editorial da Revista IRC e o que o seu legado ensina à tecnologia do concreto de hoje.
Dr. Roy Carlson
Roy W. Carlson nasceu em 23 de setembro de 1900, em Minnesota, filho de imigrantes suecos. Formou-se em Matemática pela University of Redlands, estudou Física no California Institute of Technology, fez mestrado em Engenharia Civil em Berkeley e doutorado em materiais no MIT. Para ele, engenharia era física clássica aplicada — e foi essa convicção que o levou ao calor de hidratação, à fissuração térmica e à necessidade de instrumentos capazes de mostrar o que acontecia dentro do concreto.
Numa época em que se dizia que ninguém jamais havia medido tensão e provavelmente nunca mediria, Carlson concebeu medidores de deformação e de tensão que podiam ser embutidos no concreto e permanecer em serviço por décadas. Foram usados em Hoover, Glen Canyon e Flaming Gorge, e inauguraram a era das obras observadas por dentro. Desenvolveu ainda o método de cálculo de temperatura em concreto massa que leva seu nome e a teoria de remoção de calor por tubos de resfriamento embutidos.
Para o Brasil, seu significado é particular. Chamado em 1967 para investigar a fissuração de Jupiá, identificou a influência da temperatura elevada do concreto e recomendou o pré-resfriamento, a redução do teor de cimento e o uso de basalto britado — aplicados com êxito em Ilha Solteira. Até 1985 já havia feito 35 viagens ao país, participou de Itaipu como tecnologista de concreto e incentivou uma geração de engenheiros brasileiros a estudar em Berkeley. Em 1983 recebeu a Ordem do Cruzeiro do Sul, a mais alta condecoração brasileira concedida a estrangeiros. Morreu em 21 de novembro de 1990, em Oakland, Califórnia.
A homenagem completa e as suas Reminiscências, publicadas por partes, estão na edição inaugural da Revista IRC.
Original
Restaurada
Homenagens
Eminentes engenheiros considerados “cria” do Dr. Carlson — herdeiros e continuadores de sua escola em tecnologia do concreto e segurança de barragens.
Walton Pacelli de Andrade
Formado em Juiz de Fora, entrou na engenharia de barragens em 1964, na construção de Funil, e dedicou quase quarenta anos a Furnas. Criou em 1986 o laboratório central de Furnas, em Goiânia, que se tornou referência mundial no setor elétrico. Desenvolveu a tecnologia brasileira de concreto compactado com rolo. Atuou em mais de 200 barragens e como consultor internacional em diversos países, tais como Iraque, China, Venezuela, Colômbia, Uruguai, Moçambique e Angola.
Francisco Rodrigues Andriolo
Um dos engenheiros formados na escola de Carlson durante Jupiá e Ilha Solteira. Autoridade em concreto compactado com rolo e em segurança de barragens, com mais de 200 barragens no curriculum, no Brasil e no exterior. Possui diversos trabalhos em gestão de riscos, inspeção e reabilitação de barragens integrando seu roteiro de competências. Possui inúmeras obras no acervo do Instituto Roy Carlson, tendo também cedido boa parte da coleção fotográfica histórica que o IRC preserva.
Francisco Gladston Holanda
Engenheiro que fez história na Eletronorte, esteve entre os primeiros brasileiros a estudar de perto o concreto compactado com rolo, em estágio na barragem de Willow Creek, Estados Unidos — trazendo ao país a técnica que mudaria a concepção da construção de barragens. Foi saudado por Epaminondas Amaral, ainda nos anos 1980, como “brilhante” exemplar da engenharia brasileira de barragens.
Vladimir Antonio Paulón
Professor Paulón, hoje com 89 anos, formou-se em engenharia civil pela UFRGS em 1963 e, depois de cinco anos na França e passagens pelo ITERS, ABCP e EPT, exerceu a engenharia na Promon desde 1975, onde dedicou boa parte de sua vida profissional, como engenheiro e consultor de grandes barragens. Foi professor titular na Engenharia Civil da Unicamp desde 1972 até aposentar-se — “o sagrado para mim sempre foi dar aulas”, costumava dizer. Referência brasileira em argamassa armada, concreto de alto desempenho e reação álcali-agregado. Recebeu diversas homenagens, entre elas os prêmios Ari Torres e Eládio Petrucci.
Paulo J. M. Monteiro
Formado engenheiro civil pela Poli-USP em 1979, em Berkeley fez mestrado e doutorado, pelo qual foi distinguido em 1985 com a bolsa Carlson-Polivka. E por lá ficou: foi professor de Engenharia Civil e Ambiental desde 1994 e ocupa, desde 2008, a cátedra Roy W. Carlson. Com P. Kumar Mehta, escreveu Concreto: Microestrutura, Propriedades e Materiais, livro de referência mundial, traduzido para vários idiomas. Foi pioneiro em nanotecnologia, sendo referência mundial em diversos assuntos ligados à microestrutura do cimento. Eleito para a National Academy of Engineering, recebeu a Medalha Wason e, no Brasil, o Prêmio Ari Torres.
Selmo Kuperman
Veio do lado do projeto, entre os engenheiros que Epaminondas Amaral apontou como formados na influência de Carlson. Segue em atividade como consultor de tecnologia do concreto em grandes obras brasileiras e é uma das pontes do Instituto com o IBRACON e o Comitê Brasileiro de Barragens.
Conselho Editorial
A Revista IRC conta com a orientação editorial dos engenheiros:
- José Tomaz França Fontoura
- Elcio Antonio Guerra
- João Bosco Moreira do Carmo
Lições em Tecnologia de Concreto
As perguntas que motivaram o Dr. Roy Carlson continuam abertas — os instrumentos e as técnicas avançam, mas novos problemas continuam a desafiar a engenharia. Então, economizava-se cimento para reduzir o calor de hidratação que fissura a estrutura; ora, se economiza cimento pela redução da pegada de carbono e razões ligadas à sustentabilidade. Outrora, calculava-se a temperatura do concreto massa até por ábacos; hoje se recomenda fazer por elementos finitos, com multi-física acoplada. O paralelo abaixo mostra onde cada preocupação de antes tem paralelo no estado da arte da pesquisa atualmente.
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Legado Carlson Economia de cimentoHoje Concreto sustentável — LC3 (EPFL, Karen Scrivener)
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Legado Carlson Capacidade de deformação e fluênciaHoje Resiliência (CSHUB, MIT)
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Legado Carlson Soluções analíticas para concreto massa
(Hoover/Boulder Dam Project, Part VII, 1949)Hoje Previsão de temperatura e tensões pelo método dos elementos finitos (e também por soluções analíticas avançadas) -
Legado Carlson Medição de deformações e tensõesHoje Monitoramento com sensores VW, fibra ótica, nano-tubos de carbono, sensoriamento remoto, análise de vibrações e equip. radioativos.