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Validação térmica
Roteiro de verificação dos benchmarks térmicos do artigo de referência: mesma curva de geração, mesmas geometrias, mesma energia de ativação. Serve para quem roda um programa de elementos finitos e precisa saber se a termoativação e a solução analítica estão no lugar.
Artigo de referência: Interconversão adiabático-isotérmica da geração interna de calor · DOI 10.70271/rirc.v1n2a008
Os números abaixo são os do manuscrito. O critério de aceitação de cada caso é o que o artigo já fechou (RMSE e invariância de ΔT). A comparação adiabática × isotérmica no FlexPDE para três temperaturas de lançamento na laje infinita está indicada no texto como complemento, e não entra aqui como benchmark fechado.
Protocolo comum
Nos casos com solução analítica, o exame segue cinco passos.
- Fixar a curva isotérmica Q(teq) do material. Ela não se recalibra quando muda a temperatura de lançamento ou a geometria.
- Resolver o problema térmico no método dos elementos finitos com termoativação, usando o Ea/R da calibração.
- Ler T(t) no ponto de temperatura máxima.
- Na solução analítica, regressar a curva particular TQ(t) com Ea/R = 0, a partir da taxa ∂TQ/∂t desse ponto.
- Comparar o histórico T(t), o mapa no instante de Tmáx e o perfil da seção. A amplitude ΔT da curva particular deve permanecer a da calibração isotérmica.
1. Interconversão adiabático–isotérmico
É o caso de material, anterior às geometrias. As duas formulações descrevem o mesmo concreto, com temperaturas de referência distintas na função de Arrhenius.
- Partir da elevação adiabática de referência (Hill, um termo): a = 12 h, c = 2,0, ΔTadi∞ = 30 °C, T0 = 25 °C, Ea/R = 4000 K, T0refadi = 25 °C.
- Obter a curva isotérmica equivalente de dois termos, na mesma referência de 25 °C: a1 = 10,32 h, c1 = 1,93, ΔT1 = 16,4 °C; a2 = 32,28 h, c2 = 1,57, ΔT2 = 13,6 °C.
- Verificar que a soma das amplitudes isotérmicas recupera os 30 °C adiabáticos e que uma única Ea serve à pasta e ao concreto integral.
Propriedades térmicas usadas na laje canônica que se segue: k = 9,36 kJ/(m·h·°C), ρ = 2300 kg/m³, ce = 0,900 kJ/(kg·°C), h² = 4,52×10−3 m²/h, consumo de cimento C = 300 kg/m³.
2. Laje infinita canônica
Espessura L = 1,0 m. Faces opostas a T∞ = 25 °C. Temperatura inicial T0 = 25 °C. Ponto monitorado em x = L/2. Quatro vias para o mesmo material da seção anterior.
- Elementos finitos pela formulação adiabática, com Ea/R = 4000 K.
- Elementos finitos pela formulação isotérmica de dois termos, com os parâmetros da interconversão.
- Elementos finitos com a geração particular TQ(t) do ponto de Tmáx e Ea/R = 0.
- Solução analítica da laje infinita com essa mesma geração particular e Ea/R = 0.
O que se examina: as vias (iii) e (iv) acompanham a modelagem termoquímica completa. No caso idealizado T0 = T∞ = 25 °C, a concordância analítico–numérica é visualmente estreita. O campo no instante de Tmáx é unidimensional.
3. Matriz geometria × temperatura de lançamento
Material de referência distinto do caso canônico: Hill de um termo, ΔTadi∞ = 50 °C, a1 = 40,10873 h, c1 = 1,54782, Ea/R = 4000 K, Tref = 20 °C. Varia-se só T0 ∈ {20, 30, 40} °C. Faces frias e solo a T∞ = 20 °C. Horizonte tf = 480 h. Nove simulações.
Concreto: k = 9 kJ/(m·h·°C), ρ = 2400 kg/m³, ce = 0,75 kJ/(kg·°C), h² = 0,005 m²/h. Solo, onde entra: k = 3 kJ/(m·h·°C), ρ = 1500 kg/m³, ce = 0,5 kJ/(kg·°C), h² = 0,004 m²/h.
3.1 Tubulão cilíndrico
Raio r = 0,5 m. Ponto de Tmáx no eixo. Para cada T0, aplicar o protocolo comum.
| T0 (°C) | ΔT regredido (°C) | τ (h) | RMSE (°C) | Tmáx FEM / anal. (°C) |
|---|---|---|---|---|
| 20 | 50,00 | 23,63 | 0,012 | 43,3 / 43,3 |
| 30 | 50,00 | 15,38 | 0,090 | 52,4 / 52,6 |
| 40 | 50,00 | 10,35 | 0,166 | 62,8 / 63,2 |
Aceitação: ΔT regredido permanece 50 °C (desvio inferior a 0,01 %). O RMSE fica abaixo de 0,17 °C. O maior desvio da matriz inteira é este tubulão a 40 °C.
3.2 Laje sobre fundação
Espessura da laje LY = 2,0 m, largura LX = 1,0 m, solo semi-infinito. Ponto de Tmáx em (0, LY/2).
| T0 (°C) | ΔT regredido (°C) | τ (h) | RMSE (°C) | Tmáx FEM / anal. (°C) |
|---|---|---|---|---|
| 20 | 50,00 | 13,73 | 0,044 | 59,0 / 59,0 |
| 30 | 50,00 | 12,69 | 0,071 | 68,0 / 68,1 |
| 40 | 50,00 | 10,40 | 0,091 | 78,5 / 78,6 |
3.3 Laje infinita na mesma matriz
Espessura L = 1,0 m, faces opostas a T∞. Ponto de Tmáx em L/2. É o mesmo desenho da laje canônica, com a calibração de 50 °C e T0 variável.
| T0 (°C) | ΔT regredido (°C) | τ (h) | RMSE (°C) | Tmáx FEM / anal. (°C) |
|---|---|---|---|---|
| 20 | 50,00 | 34,27 | 0,008 | 34,7 / 34,7 |
| 30 | 50,00 | 32,72 | 0,027 | 38,0 / 38,1 |
| 40 | 50,00 | 30,68 | 0,054 | 43,1 / 43,1 |
Em toda a matriz, τ diminui quando T0 aumenta. A curva isotérmica de entrada não muda.
4. Pilar do vertedouro — UHE São Manoel
Problema inverso. Há um histórico medido; recupera-se a geração particular e, a partir dela, a geração geral.
- Tomar o pilar P4 do vertedouro como referência (monitoramento do vertedouro; visita técnica de 21 a 25/09/2015).
- Na retroanálise analítica, manter Ea/R = 0: a termoativação já está no histórico particular de obra.
- Regredir a curva particular do processo a partir do histórico de temperatura do ponto central.
- Comparar a solução analítica da laje infinita com o FlexPDE e com a modelagem ANSYS do pilar.
Aceitação publicada: RMSE de 0,27 °C no pilar P4.